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sexta-feira, novembro 17, 2006

Pesos mortos dormentes

Seja qual for a formação ou hierarquia de um profissional, quando este passa pela roleta (ou catraca, para não-gaúchos) ele é um peão. Peões trabalham, acordam cedo, ralam e voltam para casa cansados, assim como eu. Mas eu gostaria de saber qual lei da física especifica que toda a pessoa que senta ao meu lado e dorme, tende a ir caindo sempre para o meu lado. Na primeira cochilada a pessoa já dá aquela cambaleada em direção ao Cristian, quando ferra no sono mesmo aí fudeu. E tem aquelas que ainda se ofendem quando aproveito a freada do trem prá dar aquela chegada sem bola, mas no corpo ao estilo Felipão quando era zagueiro. Esperar a figura dormir no meu ombro não vou. Daqui a pouco já estarão pedindo cafuné também.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Operadores (o nome já não diz?)

"Estação terminal Mercado, solicitamos a todos que desembarquem. Este trem será recolhido ao estacionamento, colabore com o operador fechando as janelas". São ou não são umas figuras carimbadas? Eu pago pelo serviço, logo, pago o salário do operador e ele vem me pedir para fazer o serviço que é dele? Não, não me custaria levantar a janela atrás de mim, que aquela tia na menopausa abriu para refrecar o que lhe estava quente numa manhã fria de inverno. Mas não vou fazê-lo, pois se a moda pega daqui a pouco teremos que ouvir: "Encontrou tudo que procurava? O Big agradece a preferência, pode colocar os seus produtos na sacola agora", ou então: "Feito senhor, o seu fogão está consertado, pode fazer a gentileza de colocar minhas ferramentas de volta na caixa enquanto eu pego uma ceva na sua geladeira?".
Operadores de Trem não tem um trabalho lá muito difícil, ficam brincando de carrinho bate-e-volta o dia inteiro, ganham muito bem para isso, tem estabilidade e ainda acham um saco ter que entrar nos vagões para fechar as janelas quando vão largar o trem no estacionamento? Motorista de ônibus ganha muito menos e não faz isso.

terça-feira, novembro 07, 2006

As bundas folgadas

19 horas, Estação Mercado, trem cheio. Os que pegaram lugar, pegaram os que não pegaram, ficam em pé. É a lei da natureza, da sorte e da física. Mas sempre tem quem está disposto a passar por cima destas leis, no famoso jeitinho brasileiro:

- "Ei gente, se vocês derem uma apertadinha cabe mais um nesse banco".
Geralmente essa frase é de uma tia gorda que já vem direcionando aquela sua bunda. Ma maioria das vezes as pessoas, pegas de surpresa e com uma prejudicial falta de tolerância zero, a contragosto acabam se apertando no banco para a folgada bunda da folgada.

Mas às vezes pode acontecer a resistência:
- "Ei gente, se vocês poderiam dar um lugarzinho a mais aí pra mim?"
-"NÃO!" - responde alguém que mesmo trabalhando o dia inteiro, soube se posicionar estrategicamente na plataforma e ter agilidade na hora do estouro da boiada.
A folgada continua ali parada com sua bunda, meio que não acreditando que um dia alguém iria dizer não.
-"Meu rapaz. É só uma apertadinha, não vai fazer mal pra ninguém, o que que custa?"
E apela para um clichê engraçadinho para passar por gente boa e ao mesmo tempo tornar o resistente um antipático mau-humorado:
- "Esse banco é como coração de mãe... sempre cabe mais um...."
O desalmado, mau-humorado, ranzinza, cansado e a essa altura, um verdadeiro anti-cristo, mas mo se sentindo visto com todos esses adjetivos, sabe que está no seu direito e perde a paciência:
-"Minha senhora, como todos podem notar, este banco foi projetado para quatro pessas sentarem confortavelmente. Eu estou confortável aqui. A senhora quer me convencer de que devemos ficar entre CINCO pessoas no desconforto simplesmente para que UMA não tenha que ir em pé? - Nesse caso, o egoísmo é todo seu, minha senhora."
O trem segue viajem, com os bancos para duas pessoas, com duas pessoas, os bancos de quatro pessoas com quatro pessoas e os bancos de seis pessoas, com seis pessoas. Pelo menos naquele vagão.

terça-feira, outubro 31, 2006

O ped(a)inte

No sentido POA/S.Léo na hora do rush entre a Estação Rodoviária e a Anchieta ele aparece, mostrando uma ferida na perna cuja circunstancia varia de vírus HIV à um acidente de trabalho, dependendo do dia.

O discurso da figura sempre começa com "Pessoal, eu sou feio assim mesmo, não se assustem..." (!!!). Se o objetivo é chamar atenção de cara nota 10: Os que não o conhecem desligam os mp3 ou tiram os olhos do Diário Gaúcho na hora, as crianças se agarram na mãe ou em quem estiver perto antes mesmo de vê-lo.
Depois eu sou chato e insensível, mas percebam os argumentos do cara para que eu dê os meus trocados para ele:
1-Uma ferida na perna causada cada dia por uma coisa;
2-A Sinceridade quanto à feiúra. O primeiro é uma contradição e o segundo uma apelação, mais que isso, é um precedente para sistema de cotas para feios e o Bolsa Feiúra.

Com essa auto-estima é claro que o cara ia acabar assim, como pedinte no trem. De que forma ele teria se dado bem na vida, conseguido um emprego honroso e uma mulherzinha mais-ou-menos? Chegando em numa entrevista de emprego ou numa mina no bailão e largando um "Oi, eu sei que sou feio mas..."